Terça-feira, 20/07/2010, 10h17

MODA

Vestindo filmes

Ecleteca bateu um papo com Vinícius Campion, criador da marca AMP

por Vivian Carvalho

edição: Amanda Aguiar

DivulgaçãoAntes de fazer moda, Vinícius Campion flerta com o cinema e a fotografia para só então idealizar peças que acabam se tornando verdadeiros objetos de desejo entre fashionistas. Os enredos mirabolantes, em que tudo parece mágico e irreal, fazem achar que estamos diante de um curta-metragem surrealista, com cenas que confundem e ao mesmo tempo instigam a curiosidade.

Vídeos como Armadilha de Mosca Vênus e Creme Brulee, funcionam como a coleção de referências organizadas e servem como fonte para linha de produtos. ?Nós temos dois tipos de consumidores: aqueles têm relação com a AMP como consumidores da linha têxtil, e aqueles que se identificam com universo da marca e desejam uma relação mais aprofundada. O consumidor AMP é gerador de conteúdo: em algum momento toca, edita, fotografa, escreve. A ideia para o futuro é que a marca se relacione com os consumidores como uma plataforma para o desenvolvimento individual", diz Campion.

Talvez nem todos por aqui conheçam a fundo o Vinícius videomaker, mas certamente conhecem sua marca: A Mulher do Padre (AMP), que em Belém é comercializada exclusivamente pela loja Ná Figueredo. Em agosto, a AMP lança sua nova coleção e chega com uma ótima notícia para os clientes da loja. ?Os preços da AMP vão ficar mais acessíveis, agora vai dar Divulgaçãopara comprar as roupas todo mês. Vamos ser uma marca de reposição de guarda-roupa?, conta.

Da tela para as ruas

São tantas informações que o estilista absorve em suas viagens ao redor do mundo que é impossível eleger apenas um tema para as suas criações. ?Estes filminhos servem para organizar as referências do semestre. Depois de organizadas, mostram que faziam parte da mesma familia de coisas, mas viviam flanando no universo aos pedaços.  A segunda parte é tirar deste material referência para fase industrial.O papel do desenhista industrial é meio este mesmo, juntar desejos que viviam aos pedaços", diz.

De passagem por Belém para conversar sobre novas parcerias com o empresário Ná Figueredo, o estilista volta para São Paulo com uma boa impressão sobre a cultura e a moda paraense. ?É a primeira vez que eu venho a Belém e achei a produção cultural daqui muito forte. Os jovens são muito ligados à cultura e arte. São pessoas críticas, de opinião forte, e é para eles que queremos divulgar nossa marca?, diz.

Quem sabe a percepção da cidade não possa ser o ponto de partida para o próximo filme de Vinícius? Não apenas a moda, mas os lares que visitou e as músicas que ouviu nestes poucos dias que passou por aqui podem estar - de alguma forma - em sua próxima história. De repente, a ideia para um enredo surja de alguma das músicas dos discos paraenses que ele leva na bagagem.  
 

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